Portu-Cale
Portu-Nossa Senhora
O nome de Portugal, como nós todos Portugueses sabemos, devíamos saber, vem da palavra Portu-Cale. Isso é de uma região a norte de Portugal. Alguns apontam para Cale, antiga povoação datada de 137 A.C. onde hoje se encontra Vila Nova de Gaia ou nas suas imediações. Depois da Invasão Romana, o nome do lugar passou a chamar-se Gale em vez de Cale, por “deturpação” da língua. Outros relacionam esse lugar com a zona do Baixo Douro ou imediações do Douro.
Mais tarde, o reino de Portu-Cale foi fundado pelos Suevos, cuja a capital era Braga (Wikipedia) e que incluía a Galiza para o Norte e até ao Tejo a Sul. Em 580 era a vez dos Visigodos de se apoderarem e dominarem essa mesma região que foi depois berço da nossa nação, Portugal.
Ora, a palavra Portu(s) é uma palavra latina que se refere a um porto, como bem se entende. A palavra Cale, (Calliagh,Caillech, Cailleach, Cally, Kali, também Scota) contudo, é uma palavra que vem do Celta e que está na raiz de tais lugares como a Galiza, Gaia, Gália, Portugal, País de Gales, assim como Calais na França, e tantos outros lugares onde os Celtas se instalaram. É uma palavra distinta, profundamente importante para o povo português ; a sina e fado do nosso país, mesmo de nós no colectivo encerram-se nesse pequeno fonema que queria dizer deidade celta, Deusa Mãe, Mãe Natureza, maga divina, entre outros significados.
Denominadamente, Cale era a deusa Mãe de todo o povo Celta, “Cail-leach”, que tanto se escondia nas velhas árvores, como nas montanhas, nos bosques, no campo, na água e na própria luz do dia, no Sol, na Lua, nas estacões do ano: na natureza. Segundo Palomar Lapesa (1957) e Alberto Firmat (1966), a palavra está ligada ao significado de espírito da «pedra», do «rochedo», «duro». Para Higino Martins (1990) um outro investigador, a palavra vem da palavra “Kala” do pré-indo-europeu, que queria dizer “abrigo”, “refúgio” que no celta passa a “Cale” que significa “terra”, “montanha ou simplesmente “espírito do lugar.” Ela era a deusa protectora e guia do povo.*
Deidade celta, a primeira entre as mulheres, se sobrepusermos o nome de Maria sobre esse epíteto, compreenderemos até que ponto, nós como portugueses estávamos predispostos a acolhermos um culto mariano, já que se trata de uma necessidade de alma, assim como a água que vai ao encontro da sede e a sede ao encontro da água.Com fé o nosso povo cria nessa deidade, Cale, Caillech como a sua “Mãe”, A sua “Senhora,” ou “deusa.”
Cale, Cail-leach, era designadamente aquela presença dinâmica que o povo percebia, sentia, adivinhava à sua roda. Estava relacionada com a própria criação, com o povo Celta, de tal forma que para onde quer que fossem, a invocavam, recorriam à sua ajuda e protecção.
A vida sem Cailleach era inconcebível. Para alguns, como para os Irlandeses e Escoceses, ela veio gradualmente a significar uma velha deusa criadora, fada ou maga dos montes, da estação do inverno, da magia da natureza, da magia da vida do campo, da providência da natureza.
Para os celtas de Portugal e Galiza, Caillech era pois uma maga boa, uma deusa Mãe, a Mãe do lugar em que se vivia, a presença santa que fortalecia e protegia o seu povo. Ela era tão “fundamental” para a nossa maneira de estar e de ser, que não se tornou despercebida aos Romanos que nos conquistaram. Caillech, Cale estava gravada no íntimo do nosso povo, no seu dia à dia. Invocada assim como hoje invocamos quer “Nossa Senhora,” quer “Jesus”, Caillech, Cale também fazia parte de muitas das interjeições e orações do nosso povo tanto nas suas aflições como nas suas alegrias. Tão intenso era esse vínculo com Caillech, Cale, que passamos a ser identificados como o povo de Cale gente portu-Cailecha, gente galega e o nosso país aquele de Portu-Cale, Portugal.
Em resumo, analisando o culto mariano na nossa terra, podemos traçar directrizes que se sobrepõe ao nosso carácter luso, que já ali estavam em eras pré-cristãs, que rapidamente se realizam no culto cristão com toda a sua pujança, nos torna num país mariano logo do princípio. Não é pois por acaso que nos vergamos ao culto de Maria, nem por acaso que Fátima se tornou no altar do mundo. Nem por acaso foi que nos tornamos num povo que levou a Cruz de Cristo aos quatro cantos do mundo. Um povo de Fé, a “Fé” predispôs-nos com a maior das facilidades à intervenção divina, à nossa rápida cristianização. Um íman atrai e é atraído – assim a nossa terra, assim o nosso povo.
Para nós, na terra onde mais luz de Sol há em toda a Europa, essa presença divina completa-nos, faz-nos ter sentido; ela sempre esteve connosco, sempre nos acompanhou através dos tempos. Pela nossa fé, como a antiga Eva, aceitamos a nova Eva, Maria, com a mesma religiosidade, a mesma intensidade – melhor ainda, ela tornou-se uma realidade confirmada, a rainha de Portugal, quem os nosso antepassados entronaram, deram-lhe um lugar central, a quem dispensaram muita dedicação e amor, a quem escutavam e obedeciam, se entregavam completamente. Fossem estes os tempos dos Romanos e passaríamos a chamarmo-nos de povo de Portu-Nossa Senhora,” “Portu-Maria” ou até mesmo mais recentemente do país de Portu-Fátima, já que esse culto, essa correlação está tão vinculada no nosso íntimo.
Depois vieram Romanos e Mouros que emprestaram a nossa maneira de ser outros elementos que nos fizeram quem hoje somos como Portugueses, mas de certo a nossa “Fé,” a nossa predisposição para o divino, lá já estava com os Lusitanos, com os Galaicos, os celtiberos, o povo de quem herdamos a língua, a maneira de pensar, de ser e de estar. Foi essa “Fé” exactamente que nos fez o povo que somos; sem ela tornamo-nos mais romanos, mais mouros, mais gente no passado, mais gente sem futuro. Com essa fé, a fé de gente Portu-Calenses conseguimos o primeiro lugar em muitas modulações, denominadamente na era das conquistas e das descobertas, sem ela passamos ao último lugar.
Em resumo, a palavra Portu-Cale, hoje em dia algo como Portu- Deusa Mãe, Portu-Nossa Senhora, Portu-Mãe da Nossa Fé, em quem colocamos o significado daquilo em que acreditamos com toda a nossa alma lusíada.
É a palavra Portu-Cale, Cai-leach, Nossa Senhora, a energia Mãe, divina protectora, criadora continua connosco na pessoa de Maria, a nova Eva, a nova Cail-lech. Hoje de certo algo como Fátima, Nossa Senhora da Pena, Nossa Senhora do Pilar, Nossa Senhora da Ajuda, Nossa Senhora do Lajedo e as tantas outras “Senhoras,” que o povo venera em tantos lugares da nossa terra.
Objecto de Fé, da fé pura, autêntica, genuína, marcante, ela é a Nossa Mãe (a Fé). Como era como Cale, é-lo com Fátima ou qualquer outra identidade divina que nos guia e nos protege como gente sua. A única diferença é que as divindades célticas obedeciam às normas de então e poderiam ser um pouco caprichosas, mesmo vingativas ou imprevisíveis, enquanto que a Nossas Senhora obedece à vontade de um Deus omnipotente e bom.
Como a Fé e intemporal, não tem tempo, sempre foi, é e sempre será. Ela guia-nos. Ela protege-nos. Ela faz-nos na nação e povo que somos.
Lusíadas, filhos do povo Lus, filhos dos galaicos, nela temos a nossa mãe. De certo que, Português não é, nem nunca será quem lhe vira as costas. “Mãe aí tendes o vosso filho. Filho, aí tendes a vossa Mãe,” a Nossa Fé.
http://www.agal-gz.org/modules.php?name=News&file=article&sid=1857
quarta-feira, 22 de julho de 2009
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